Unesco alerta para a extinção de diversos idiomas

Justo no dia em que foi celebrado o Dia Internacional da Língua Materna (dia 21 de fevereiro), determinado pela Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a própria entidade fez um alerta surpreendente sobre o perigo de extinção de alguns idiomas. A última estimativa feita pela organização, é de que das 6.000 línguas catalogadas, 43% delas estão ameaçadas de desaparecer completamente. O relatório ainda apontou que no Brasil existem 190 línguas que podem deixar de existir.

A última estatística feita pela organização foi atualizada no mês de fevereiro desse ano, onde foi listada 2.465 línguas em estado de perigo. Desde o ano de 1950, a Unesco acredita que cerca de 229 idiomas já foram extintos no mundo todo. Dentre os países com as línguas nativas ameaçadas aparece o Brasil, os Estados Unidos (191), e a Índia (197). A organização ainda alerta para a possibilidade desse número ser maior, em vista de que muitas línguas não tiveram os dados coletados suficientes.

A Unesco acredita que a internet pode ser uma grande aliada em manter essas línguas vivas por meio de registros e dicionários. No entanto, mais importante ainda, enfatiza a entidade, é que as pessoas sejam multilíngue. Os dados são de que 40% da população mundial ainda não tem acesso à educação na própria língua materna, imagina em outra língua. Esse fato contribui para o desaparecimento desses idiomas, além do fato de haver idiomas considerados dominantes fazendo com que esses outros desapareçam por completo.

A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, incentivou que a língua materna de cada criança seja incluída na grade escolar como um ensino básico para qualquer pessoa. Ela disse: “Faço um apelo para que o potencial da educação multilíngue seja reconhecido em todos os lugares, nos sistemas educativos e administrativos, nas expressões culturais e nos meios de comunicação, no ciberespaço e no comércio”.

Em se tratando das línguas que correm o risco de se extinguirem no Brasil, 97 delas foram classificadas em estado vulnerável. Para essa classificação, as crianças ainda falam o idioma, porém são poucos que tem esse domínio. 17 línguas foram classificadas como definitivamente em perigo, essa classificação determina que a língua já não é mais proveniente dos ensinamentos maternos. Outras 19 recebem a classificação de severamente em perigo, todas as línguas que são faladas somente pelas gerações mais antigas, no entanto algumas gerações ainda conseguem entender o contesto falado. As 45 línguas restantes, estão em estado de perigo crítico, que compõe as línguas que apenas os avós falam e compreendem.

A última classificação foi dada as línguas já extintas, comprovadas que não há mais ninguém vivo que fala o idioma. Juntas elas somam 11 idiomas: Arapáso, Huitoto, Krenjê, Amanayé, Múra, Nukiní, Máku, Yurutí, Torá, Xakriabá e Umutina.

 

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