Secretarias negligenciam assistência às crianças portadoras de microcefalia

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Mais de 2 mil crianças nasceram com microcefalia no ano passado como consequência do Zika. Foram 2366 casos, 411 só em Pernambuco. E se não bastassem todas as dificuldades por quais essas famílias passam, agora bebês com microcefalia enfrentam a desnutrição, porque foi interrompido o fornecimento do leite especial que é fundamental para essas crianças se desenvolverem.

Juan Pedro de 1 ano e 3 meses, nasceu com a Síndrome Congênita do Zika Vírus. Além dos problemas de visão, audição, de movimentos de aprendizagem, ele também não consegue ganhar peso. “Ele está com 8 kg, mas já deveria ter passado dos 9 kg”, diz a mãe de Juan Pedro, Daniele Santos.

Para se desenvolver e poder seguir com as terapias, o bebê tem que se alimentar com um leite especial enriquecido. Mas a dois meses, a Daniele não encontra o leite na Farmácia Popular. “Nós tentamos reduzir o máximo os gastos para poder ter como comprar a lata. Eu estou mendigando uma coisa que é direito do meu filho”, diz Daniele.

Por recomendação médica, Juan Pedro deveria tomar 4 mamadeiras por dia com o leite em pó rico em nutrientes. São 14 latas por mês, mas a Daniele não consegue comprar, por isso essa quantidade foi reduzida para duas mamadeiras diariamente. Assim o bebê não consegue ganhar peso. Cada lata custa em média R$ 50,00 e esse leite especial deveria ser distribuído de graça pelas farmácias das secretárias municipais de saúde. Mas muitas delas estão com os estoques vazios.

Só em Pernambuco pelo menos 30 crianças precisam desse tipo de complemento alimentar. Para os bebês que não conseguem tomar mamadeira e tem que se alimentar através de sonda, o leite enriquecido é ainda mais essencial. Os especialistas alertam, a desnutrição tem impacto direto nos tratamentos dos efeitos contra a microcefalia e no desenvolvimento geral da criança.

“Se nós temos uma quantidade menor de cérebro, nós precisamos favorecer que esse crescimento seja o melhor possível, e isso também só é garantido através de um aporte de proteínas, de gorduras saudáveis e micronutrientes. Estes danos, vão desde danos no presente se estendendo a longo prazo”, diz a gastropediatra, Kátia Brandt.

O Ministério da Saúde informou que fornece apenas medicamentos e não latas de leite especial. A prefeitura do Recife, disse que o leite especial no tratamento da microcefalia, não faz parte da lista de assistência farmacêutica e que fornece a lata de acordo com as necessidades de cada caso. Pelo visto, não tem resolvido o problema.

Em Alagoas, as famílias sofrem com a dificuldade de conseguir alguns medicamentos, são medicamentos que deveriam ser fornecidos pelo Estado e pelo município. Essas famílias não estão conseguindo ter acesso ao Gardenal, que é de responsabilidade do município e ao Sabril que é de responsabilidade do Estado. Esses medicamentos são para evitar convulsões e crises de epilepsia, e as famílias dizem que estão em falta a quase 1 ano.

O Gardenal custa em média R$ 8,00, é barato, mas uma caixa de Sabril pode chegar até a R$ 300,00. A secretaria que é responsável por esses medicamentos, diz que existe um processo emergencial para a aquisição, e que por enquanto as mães podem solicitar aos médicos remédios similares. Já a secretaria Municipal de Saúde, disse que a compra do Gardenal já foi licitada e que aguarda agora a conclusão do processo, mas não deu prazo para isso.

 

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