Cientistas descobriram que demência tem ligação com estresse pós-traumático

A demência é um termo amplo que abrange vários tipos de distúrbios neurodegenerativos que afetam a capacidade de uma pessoa de pensar, aprender, lembrar, memorizar e realizar atividades cotidianas. Esta deterioração da função cognitiva do cérebro não é considerada parte do processo normal de envelhecimento e afeta mais de 47 milhões de pessoas em todo o mundo, com 7,7 milhões de casos novos a cada ano.

A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, contribuindo de 60% a 70% dos casos e tem um impacto social e econômico significativo. A evidência sugere que as mudanças no nível molecular que contribuem para o desenvolvimento da doença podem ocorrer até 25 anos antes de qualquer sintoma visível.

Recentemente, os pesquisadores exploraram a conexão entre Alzheimer e o transtorno de estresse pós-traumático. Os dados epidemiológicos mostram que as pessoas com estresse pós-traumático em uma idade jovem têm um risco maior de desenvolver Alzheimer em idade avançada. Um estudo de 2010, analisou os dados de 181.093 jovens e descobriu que aqueles diagnosticados com o estresse pós-traumático eram quase 2 vezes mais propensos a desenvolver demência em comparação com aqueles sem o estresse.

As pessoas com esse tipo de estresse têm um mecanismo prejudicado, chamado de extinção do medo, que faz com que eles continuem tendo uma resposta ao estresse para um estímulo que não é mais uma ameaça. Normalmente, através de processos como a flexibilidade cognitiva e a aprendizagem da extinção, o indivíduo deixaria de ter uma resposta desse tipo ao estímulo que uma vez causou o evento traumático.

Num estudo publicado recentemente, os cientistas pretendiam descobrir alguns dos mecanismos que ligam o estresse pós-traumático e o Alzheimer. Eles observaram que o declínio da memória associado à idade é provavelmente uma consequência direta da expressão reduzida de um gene chamado Formin 2. A perda do Formin 2 em ratos jovens causou sintomas semelhantes ao estresse pós-traumático e também levou a uma diminuição acelerada da memória associada à idade.

O Formin 2 tem sido associado à deficiência intelectual e é essencial para o aprendizado da extinção e a flexibilidade cognitiva. E nesse caso, os pacientes com estresse pós-traumáticos e com Alzheimer apresentaram uma menor expressão de Formin 2.

 

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