Projeto expansionista da capital chinesa ameaça lagos sagrados

Ao sul de Pequim, se encontra uma série delicada de lagoas famosa por suas pescas e brisa ao longo do século.

Ao longo das próximas décadas, haverá uma transformação nessas frágeis terras alagadiças, que se transformarão em uma enorme cidade-satélite na capital chinesa. Será construído hospitais, mercados atacadistas, universidade, sedes empresariais que quase não cabem no papel que tem nome de “Projeto do Milênio” pelas autoridades chinesas. A ideia de transformação de Pequim em uma cidade parecida com Washington, que foi construída com monumentos imponentes. “O governo está redefinido como Pequim deve ser” conta Zhang Yue, pequinês e professor da universidade de Illinois em Chicago. Autor de um livro que foi comparado a Pequim a diversas cidades globais. “Ele não quer uma cidade com bairros antigos, uma cidade de cultura e história, mas quer uma cidade política que atenda as necessidades do governo central”.

Alguns dos planejadores já iniciaram a transferência de muitos serviços municipais da capital para a cidade-satélite de Tongzhou, com planos de demolição de ruas e mercados caóticos e agitados. O governo com suas missões expansionista são claras naquela que será a Nova área de Xiogan, chegando a ser três vezes maior que Nova York e será construída da estaca zero em cima das lagoas e terrenos pantanosos de Baiyangdian, no congado de Xiogan.

A região possui um grande número de vilarejos a beira de lagos e barragens e seu acesso só era permitido por barcos até 5 anos atrás. A prosperidade modesta veio após a construção de estradas trazendo o turismo até a região e suas casas ganharam ampliação, fazendo da construção um importante setor.

Moradores locais sabem que grandes mudanças vem por ai, porém ainda estão sem saber o que essas mudanças vão significar para as terras alagadiças e as vidas que contém nelas.”É claro que é uma grande honra o governo central dar atenção a nós aqui em Baiyangdian”, conta um barqueiro de pesca e transportador de pessoas, Chen Dazheng. “Apensar de não sabermos o que esperar, exceto que teremos que nos mudar”, desabafa.

Assim que os planos foram revelados em abril de 2017, ficou claro que os preços dos imóveis na área começaram a subir disparadamente e as autoridades imediatamente impuseram a proibição de qualquer área nova. Lá a indenização acontece baseada na metragem do imóvel, o que no passado levou aos moradores a ampliação de suas casas ou negócios para poderem então reivindicar mais dinheiro. No momento tudo encontra-se parado e em todas as esquinas e existem montanhas de tijolo aguardando os operários.

Um dos vilarejos acabou formando um quebra-cabeça de ruas estreitas com muros altos que os moradores aguardam ansiosos para saber se suas casas serão demolidas. O vilarejo foi listado como patrimônio histórico devido a sua arquitetura e cultura ligada estreitamente a sua geografia.

A região é local de um estilo de canto complexo, derivado das escrituras budistas onde a música é cantada por um coral de moradores que todos os anos cruzam o lago de barco, como forma de homenagear os deuses da medicina.

Isso cria uma grande preocupação dos moradores: “Esperamos continuar fazendo isso mesmo após o vilarejo ser demolido, mas depende de onde morarmos”, conta Xia Manjun, um integrante do coral de Quantou “Moraremos nas proximidades ou seremos dispersos? Será que teremos acesso aos lagos caso sejam todos margeados por escritórios?” e desabafa “Sabemos que teremos que nos mudar, apenas esperamos que quando todos os institutos de pesquisa se mudarem para cá, todas as empresas, que nos permitam algum acesso a nossas águas. Por favor, nos permitam permanecer próximos da água.”

 

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