Pílulas inteligentes simplificam atendimento médico, mas divide opiniões

O entusiasmo por uma ferramenta digital eficiente para à área de saúde, chamada de pílula inteligente, já é uma das notícias mais bem recebidas por pacientes e profissionais da área. A descoberta feita por pesquisadores da Universidade de Illinois em Chicago, foi publicada em um artigo científico no American Journal of Bioethics no segundo semestre de 2018. A nova publicação adverte os provedores de serviços de saúde e legisladores sobre alguns cuidados com essa nova tecnologia e as configurações de atendimento ao paciente.

As pílulas inteligentes, ou pílulas digitais, são medicamentos prescritos, equipados com sensores eletrônicos comestíveis que enviam mensagens sem fio para dispositivos, como smartphones e tablets. As primeiras pílulas deste tipo, utilizadas para tratar pacientes com esquizofrenia, transtorno bipolar e transtorno depressivo maior, foram aprovadas para uso em humanos em 2017 pela Food and Drug Administration, órgão máximo de saúde dos Estados Unidos.

Alguns esperam que a tecnologia ajude pacientes e médicos a rastrear o uso de medicamentos e estabelecer um controle efetivo junto ao paciente. Os impactos para a economia norte-americana ligadas ao uso da pílula inteligente são de US$ 100 a US$ 300 bilhões anualmente. Porém, muitos pacientes e especialistas têm preocupações com a privacidade, consentimento e compartilhamento de dados desses pacientes.

Eric Swirsky, um especialista em questões legais e éticas relacionadas à tecnologia de cuidados de saúde, diz que ambos os grupos têm argumentos válidos, mas que nenhum deles está fazendo a pergunta certa.

“Precisamos saber se as pílulas inteligentes vão realmente melhorar a vida dos pacientes, o que é muito mais complicado do que a conformidade ou a privacidade”, disse Swirsky, que também é professor clínico associado de ciências da informação biomédica na Faculdade de Ciências da Saúde Aplicada da UIC. “É ingênuo pensar que este tipo de cumprimento vigiado com os tratamentos medicamentosos recomendados pelos fornecedores funcionará como uma pílula mágica. Mais provavelmente, apenas desafiará a ingenuidade dos pacientes.”, reforça Swirsky.

Swirsky disse que simplesmente não há evidências para sugerir que as pílulas inteligentes beneficiem os pacientes e que usar essa tecnologia fora dos ensaios clínicos possa ser útil. Mas, ele também diz que o sucesso desta nova tecnologia “é apontado nas pesquisas que temos atualmente, onde os pacientes se beneficiam recebendo cuidados de provedores de saúde que podem gerenciar muitas questões em torno da administração de medicamentos”.

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