Atendimento universal à saúde pode impulsionar economia mundial

A inovação tecnológica, a expansão do uso do pessoal de linha de frente, como agentes comunitários de saúde e o rápido aumento no financiamento deste setor, provavelmente serão instrumentais para alcançar a “saúde universal” em todos os países do mundo, de acordo com uma nova análise liderada pela Escola de Saúde Pública TH Chan da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Embora a idéia de assistência médica universal esteja ganhando apoio generalizado e seja um imperativo central para a Organização Mundial da Saúde – OMS – e para a Organização das Nações Unidas – ONU -, os pesquisadores enfatizaram que os países precisam equilibrar a expansão da cobertura de saúde e garantir a qualidade do atendimento. Os erros médicos, as infecções adquiridas na área de saúde e a má retenção de pacientes em tratamento poderiam prejudicar os ganhos obtidos com a cobertura universal deste setor.

“É difícil pensar em uma aspiração que reflita e contribua mais para o progresso humano do que a saúde universal. O desafio é a entrega, que exigirá apoio político e financeiro sustentado, além de tecnologias e instituições inovadoras. As concepções deste objetivo se concentram predominantemente em intervenções médicas. Devemos dar muita atenção para as questões médicas primárias e para as intervenções que promovam prevenção de doenças e detecção precoce, equidade social e econômica e cooperação internacional”, explicou um dos autores do estudo, Clarence James Gamble, professor de economia e demografia na Harvard Chan School. A análise, que é uma ampla revisão das evidências científicas sobre a saúde universal, foi publicada no segundo semestre de 2018 na revista científica Science.

Quarenta anos atrás, os líderes mundiais de saúde emitiram a Declaração de Alma-Ata, que elevou a consciência global de “saúde para todos” como um direito humano e universal enfatizando a importância da atenção primária à saúde. Os benefícios de um sistema de saúde universal são abundantes e vão além de melhorar a saúde. Essa visão pode levar a ganhos econômicos aumentando a produtividade, segundo os pesquisadores, e pode melhorar a estabilidade social e política enquanto reduz as disparidades de saúde e as desigualdades econômicas e sociais. Além disso, os países nos quais a maior parte dos gastos com saúde são pagos antecipadamente por financiamento governamental têm taxas mais baixas do tipo de gastos catastróficos com saúde, que podem levar à falência de famílias quando comparados com países que dependem de esquemas de seguro privado.

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